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Por Sebastião Kupessa

 

 

Um angolano em Los Angeles, nos Estados Unidos de América. Ricardo Lemvo é um músico completo, cujo o verbo contido nas suas composições de  salsa ou rumba congolesa, faz nos recordar o African Jazz do Grand Kallé, sobretudo o Papa de Oliveira, um dos pioneiros da música africana contemporánea. Muitas vezes é apresentado como um cantor americano, para outros, ele é  congolês democrático, mas com um prenome português que sugere que ele seja angolano. Para dissipar as dúvidas, o site da Damba, contactou o artista, para saber em poucas palavras sobre a sua origem verdadeira, da sua carreira e do seu futuro.

 

 

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Muana damba: Ricardo, saudações. O teu nome é Lemvo, que língua se trata?

 

Ricardo Lemvo: É kikongo. Este nome vem do meu avô, Dom João N'lemvo, que foi o primeiro que traduziu a bíblia de Inglês para Kikongo. Era Pastor da Igreja Baptista ( ver A biografia de Mantantu Dundulu Lemvo. ) 

 

O que significa....

 

Significa pacífico e obediente.

 

Onde nascestes?

 

No Kimpese, no Baixo Congo, na RDC. Mas os meus pais são originários de Kindinga, no municipio do Kuimba, na provincia do Zaire, mas resido desde 1972 em Los Angles, nos E.U.A. 

 

Nascestes na RDC com ascedentes angolanos e vive nos E.U.A. Qual é tua nacionalidade?

 

Sou o produto destes três paises, mas sinto-me angolano em cima de tudo, porque é neste pais que se situa as minhas raizes, no interior de Kongo dya Ntontila. 

 

Já que te sentes do interior de Kongo dya Ntontila, qual é o teu LUVILA?

 

Lukeni.

 

E o LUVILA do teu pai?

 

Lukeni.

 

Mas o género da música que tocas não corresponde com ritmo tradicional Bakongo?

 

A minha música é uma mistura de ritmos cubanos e africanos (rumba e o kizomba) 

 

Sim, a tua música é bem elaborada no ponto de vista técnico e no verbo. Gostaria de saber a tua opinião como profissional sobre a música tradicional angolana, especialmente Masikilu e Konono, ritmos de Kongo dya Ntotila, onde és originário?

 

A música tradicional é agradável, mas lamento infelizmente que, o meu grupo musical denominado Makina Loka, composto de americanos e latinos americanos, seja incapaz de acompanhar-me neste rítmo. Os que pode me acompanhar, encontram-se em Angola.

 

Falando de Angola, quando voltas novamente? porque certamente encontrarás artistas tradicionais...

 

Eu colaboro muito com o velho Sam (Mangwana) e está previsto de realizar um CD juntos, mas o projeto não está ainda concretizado. Em Junho estarei em Angola. Em Julho tornarei a voltar lá, no quadro da promoção do meu novo disco.

 

Este novo álbum, tem quantas faixas musicais, em que línguas foi cantado e qual será o título?

 

Ainda não tem nome, contará com 11 faixas musicais, cantadas em Kikongo, lingala, Tchiluba, Português, kimbundo e Espanhol. Também tem uma versão tradicional com o título: DIBATA WA TENGAMA MALU.

 

Quando estarás em Angola, vais tocar ao vivo no interior de Angola, como por exempro, em Mbanza Kongo?

 

Está previsto, para além de Luanda, estarei em Cabinda, Lubango, Mbanza Kongo e na Cidade do Uige.

 

Que pensa da música angolana  atual, especialmente o Kuduro?

 

Aprecio muito, música da nova geração. Gostaria colaborar um dia com alguns kuduristas em Angola.

 

Entre os músicos de Angola, qual é a tua preferência?


São muitos, entre os quais, Bonga, Mangwana, Waldemar Bastos, Paulo Flores, Puto
Portugues, Yuri da Cunha, Bangao e Elyas dia Kimuezo.  

 

Manuel de Oliveira, Henriques Freitas e Jorge Eduardo, foram pioneiros da música africana comtempranea nos anos 40 e 50 do século passado, angolanos originários de Mbanza Kongo, deixaram-nos um rico repertório. Nunca pensastes em recuperar as suas músicas, como o fez Sam Mangwana em" i love you, Maria Tebo" de Manuel de Oliveira?

 

Claro que sim, já reabilitei umas das suas canções com o título: ELONGI YA CHERIE LOKOLA MUINDA ( a cara da querida brilha como Luz)

 

Estou me referir ao conjunto das suas obras.

 

Sim, se houver um produtor e artistas competentes, podemos realizar um álbum, só com músicas legado pelo quarteto denominado " San Salvador". Este conjunto foi verdadeiro monumento da música africana.

 

Qual é o conselho que podes dar aos músicos angolanos que se encontram na diaspora?

 

Nós artistas musicais somos embaixadores da nossa cultura na estrangeiro. Nunca podemos deixar a nossa tradição.

 

Com a globalização, a cultura angolana e do Kongo dya Ntontila, em particular, está em vias de extinção, o que aconselhas a nova geração?

 

Para conservar a nossa cultura, a nova geração tem que aprender as línguas nacionais e conhecer os usos e costumes de Angola .

 

Obrigado, sala kyambote.

 

Eu vos agradeço. Kyambote Kieno.

 

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