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Por Ricardo Lumengo

 

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Aproximadamente cem milhões de africanos foram levados como escravos, para a América, em quatrocentos anos e destes, metade deles morreram, durante a travessia do oceano.
Ou seja, um Holocausto em grande escala, muito maior que o ocorrido com os judeus, durante a segunda guerra mundial.


-Mas porque será que ninguém quer abordar este tema?

No seu livro as Américas e a civilização, publicado em 1969, o sociólogo Darcy Ribeiro sustenta que o Brasil, em seus inícios, não era uma nação, mas um entreposto de comércio, e “os interesses das castas dominantes queriam que este entreposto continuasse como latifundiária e escravocrata e mais tarde latifundiária e ‘livre,’ mas sempre latifundiária e oligárquica” (208).


 

Naturalmente, para que os interesses destas castas dominantes se tornassem realidade em face da maioria dos subjugados, vários elementos teriam que entrar em jogo. Um deles, o mais óbvio, foi o uso de força. De que outra maneira podemos compreender que navios inteiros de homens e mulheres fortes se deixassem dominar pelos portugueses que os arrebatavam ou compravam na África e os traziam para as terras do Brasil?

Este comércio durou pelo menos duzentos e cinqüenta anos. Diferentemente dos Estados Unidos, por exemplo, a importação de africanos foi constante no Brasil até depois de meados do século XIX e o contingente humano negro, em muito ultrapassava os residentes brancos.

  

Mas o uso da força bruta, além de dispendioso, podia representar a perda da mercadoria — ou seja, a morte dos negros. Darcy Ribeiro escreve que aproximadamente cem milhões de africanos foram trazidos para a América em quatrocentos anos e mesmo levando-se em conta que a metade deles foram mortos durante a travessia (182), podemos afirmar que, em todos os momentos da história do Brasil precedendo a imigração massiva de europeus e asiáticos (especialmente japoneses) no fim do século XIX e começo do século XX, a população negra, constituía a maioria absoluta da população brasileira. Além da força bruta, a dominação dos negros — tantos os escravos como os libertos — se fez através da ideologia.


A igreja católica, como muitos já disseram, encontrou-se na ponta de lança dessa ideologia. Não é de admirar-se, por exemplo, que apenas no dia 5 de maio de 1888 - oito dias antes da assinatura da Lei Áurea pela princesa Isabel — o Papa Leo III tornou pública uma carta dando apoio à causa da libertação dos escravos do Brasil.

Sobre este ponto, o abolicionista Joaquim Nabuco escreveu que a deserção do clero brasileiro de seu papel de defensor dos oprimidos tinha sido uma vergonha. Nabuco continua dizendo que, o clero jamais tomou o lado dos escravos, e jamais usou a força da religião para aliviar o sofrimento dos negros (citado em Conrad, 1984, 153).

-Os africanos, não devem esquecer nunca, esta triste realidade, em respeito e memória dos seus antepassados e também nunca envergonharem-se, por serem negros, pois a negritude é uma raça, como outra qualquer.

 

 

                                                                                                              Fonte: facebook