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Alguns refugiados angolanos na província do Kivu do Norte integraram o grupo rebelde M23 que está envolvido em conflitos com o Governo da República Democrática do Congo (RDC). Armindo Kabenga, que abandonou Angola para se fixar na RDC em 1992, devido à guerra pós-eleitoral que eclodiu no país, disse ao Novo Jornal que os rebeldes encaravam os refu- giados angolanos como principais inimigos.


“Os serviços de segurança dos rebeldes tinham informações exactas sobre o paradeiro dos angolanos na província do Kivu Norte”, afirmou, salientando que, constatada a situação, durante madrugada eram rap- tados. Armindo Kabenga, que abandonou o M23 depois da assinatura de um acordo preliminar com o Governo da RDC em 2012, confirmou a existência de, pelo menos, 300 refugiados sob controlo da rebelião.


“Os 300 são os que faziam parte do meu grupo. Agora não sei se nas outras unidades existiam outros angolanos”, acrescentou. Massala Kiala, um outro refugiado que já regressou a Angola, nos arredores da cidade do Uíge, confirmou
que os angolanos eram colocados na primeira linha de fogo, durante os combates.

 

“Diziam que o Governo angolano estava a interferir nos assuntos da República Democrática do Congo e que, por isso, ficámos como escudos”, lamentou. Além dos adultos, os filhos dos refugiados também eram “caçados” nas povoações da província do Kivu Norte. “Esses grupos armados vêem nas crianças excelentes combatentes, já que são fáceis de manipular e ser conduzidas para a guerra”, acrescentou referindo que um númerconsiderável de refugiados angolanos abandonou a região, fixando-se em Kinshasa e no Baixo Congo.


Para Ntondo Malungo, que vivia na cidade de Goma, capital provincial do Kivu Norte, como comerciante, alguns refugiados radicaram-se na região, devido à exploração de diversos minérios. “Os conflitos nesta região devem- se à abundância de minérios. No entanto, muitos refugiados angolanos vieram cá parar”, justificou.


As nossas fontes lamentam o comportamento dos comandantes rebeldes que forneciam estupefacientes para que com maior facilidade, pudessem cometer as mais terríveis atrocidades. “Estou feliz por estar na minha terra natal (Angola) e especialmente na minha província, o Uíge”, confessa Massala Kiala, que agora vende cigarros no mercado municipal da
cidade.


O embaixador de Angola na República Democrática do Congo, Emílio Guerra, descreveu a actual situação na RDC como “muito difícil”, resultado de desentendimentos do grupo rebelde M23, agora dividido em duas partes.


Emílio Guerra, que falava em Luanda, à margem da reunião tripartida que reuniu esta terça-feira os chefes de Estado de Angola, África do Sul e da República Democrática do Congo, evidenciou que no terreno de operações o clima de guerra
ainda prevalece. “Não nos esqueçamos que a RDC ainda está a negociar com os rebeldes. A situação no terreno também não é boa e este é um dos problemas que é preciso solucionar”, destacou o diplomata.


Uma outra fonte da embaixada adiantou ao Novo Jornal que, dada a extensão do território da República Democrática do Congo, não duvi- dava que existissem refugiados nas hostes dos rebeldes. “Muitos angolanos entraram na RDC devido aos conflitos armados em Angola. Eles (os refugiados) estão espalhados por muitas regiões,
tudo pode acontecer”, admitiu a nossa fonte.

 

O que é o M23?

O governo da RDC e os rebeldes congoleses do M23 chegaram a acordo em 2012, no âmbito das conversações de paz em Kampala. As negociações trataram essencialmente da revisão de um acordo de paz anterior, cuja aplicação, segundo o M23, estava na origem da revolta dos seus homens. Questões de segurança, socioeconómicas e políticas, assim como os moldes para a aplicação do novo acordo foram o pomo da discórdia.


O Movimento de 23 de Março (M23) é constituído por ex-rebeldes tutsi congoleses que tinham sido integrados no exército da RDC, após a assinatura do Acordo de Paz de 23 de Março de 2009 (de onde surge a sua designação). Combatem, desde Abril de 2012, o Exército regular congolês na rica província mineira do Kivu Norte, no leste da RDC. No final do ano
passado, o M23 lançou uma forte ofensiva militar que levou à tomada da cidade de Goma, capital provincial do Kivu Norte.

 

No entanto, no início de Dezembro de 2012, o grupo rebelde aceitou retirar-se da cidade, em troca da abertura para conversações com o governo de Kinshasa, em Kampala. A mediação foi iniciada  em nome dos países vizinhos dos
Grandes Lagos - pelo Uganda. Kampala e Kigali foram sempre acusados, apesar dos seus desmentidos, de apoiarem o M23. A região leste da RDC é rica em estanho, ouro, cobre e outros minerais e é palco, há décadas, de conflitos regionais, rebeliões e tumultos.


O Conselho de Segurança da ONU tem vindo a manifestar a sua inquietação perante o agra- vamento da situação no leste da República Democrática do Congo, (RDC) apesar de um novo acordo regional destinado a restituir a paz.


O Ruanda e o Uganda, signatá- rios do novo acordo, foram acusados por peritos da ONU de apoiarem o M23, gerando uma ofensiva contra o governo de Kinshasa no ano passado.

 

 

                                                                                                                                       Fonte: Novo Jornal

 

 

 

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