Publié par fara


Hoje completa-se 20 anos  do genocídio perpetrado  no 22 e 23 de Janeiro de 1993 contra as populações Bakongo em Luanda, o Blogue do FARA, vai render a devida homenagem às vítimas, reeditando o memerandum que a Associação dos Bakongo de Angola apresentou ao Papa João Paulo II, quando visitou a cidade de Mbanza Kongo em Junho de 1992. O documento é dividido em 4 partes.
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O Papa João Paulo II em Mbanza Kongo, Junho de 1992



As terras do Kongo voltaram ocupar o lugar de destaque a nível internacional como há quase séculos. A visita do Papa João Paulo II, veio lembra que apartir dessa parte do continente africano que a religião cristã irradiou sobre a África central e austral pela primeira vêz.

O Santo Padre pisou a terra histórica de Mbanza Kongo, levando consigo a mesagem do Amor cristão, transmitida pelo Nosso Senhor Jesus Cristo.

Mas os que ajudaram a doutrina cristã a conquistar as almas dessa parte de África, os Akongos, alguma vêz tiveram a paz da Alma?

Os Akongos ou os kikongos, como outros chamam as populações do norte de Angola, são os que sofreram e continuam a sofrer os desmandos que a dita República Popular conheceu.

Experitamos no íntimo do nosso ser as situação mais humiliantes que um cidadão possa atravessar no seu próprio país. Do cidadão nós tinhamos apenas o chamado "Bilhete de identidade".

De facto, nós somos até agora, cidadãos de categoria incerta,. Não pertencemos nem a primeira nem a segunda faixada. Com efeito, um angolano da segunda categoria, embora não gozando dos previlégios económicas-sociais dos da primeira, sente-se penetrado pela consciência tranquila de vicer no seu próprio país.

Nós, os akongos, fomos considerados como estrangeiros na nossa própria pátria. Fomos tratados de "invasores". Etiqueta essa que continua nos colar à pele até hoje. Nós somos os zairenses, não porque alguns de nós são oriundos da província do Zaire, mas por um números considerável dos akongos ter vividos durante o exilio na visinha República do Zaire, onde se encontrava baseado, durante a luta da libertação nacional, o mais implacável adversário do Mpla, A Frente Nacional da Libertação de Angola, FNLA.

As razões politícas levaram os que estabeleceram a cabeça depois de 11 de Novembro de 1975, a fazerem circular mentiras sobre os akongos.

Assim tornamos "zairenses comem pessoas". Essas mentiras se enraizaram profundamente a uma população que sofria ainda a pouca educação politíca de que os dirigentes pós idependência estava consciêntes.

Como no tempo colonial eram chamados de "Congo angolanos", no intuito de nos separar com os outros angolanos, os novos mestres, que se tinham apoderado do poder ilegalmente, que pretendia unir Angola com o falso Slogan"De Cabinda ao Cunene, um só povo e uma só nação, alcunhavam de nós como zairenses.

Durante desasseis anos os akongos foram atirados para omais baixo escalão social. Nós éramos e continuamos a ser mais estrangeiros na nossa terra-mãe que os cabo-verdeanos e os santomenses, e sem esquecer dos portugueses e dos oriundos da antiga comunidade da Europa do leste que pululam ao redor à vaca leiteira angolana.

Não de espantar que nos paises como a França e a Alemanha Federal que outrora não conheceram refugiados angolanos, estão cheio hoje de akongos. Muitos seguiram para estes países, sobretudo o primeiro, nos primórdios da independência - referimos-nos particularmente do "Prédio universitário em Luanda"- muito Antes das famosas "rusgas para as FAPLA ( Forças Armadas do Governo do MPLA)

Os sobreviventes que têm nervos de aço, são os que ficaram aqui. Esta discriminação estendeu-se aos locais de trabalho.

Boatos diversos foram cìnicamente e Hàbilmente fomentado para contestar os akongo que não  eram portadores de qualkquer competência. Denegriu-se os diplomas vindos da República do Zaire - onde os akongos foram buscar um saber que  um saber que o regime português lhes recusava. Falou-se de diplomas comprados - não se sabia bem em que praça! - de fraco nível de ensino, de formação capitalista, etc.

A verdade era porém essa: o afastamento puro e simples dos akongos dos lugares de chefia. Pois, mesmo os nossos conterráneos que aqui estudaram ou que saíram das escolas dos paises solcialistas , amigos do partido no poder, sofreram o mesmo tratamento de desconfiança, porque apesar do militante da primeira hora do MPLA, não passavam de "zairense"

Continua...

                                                            
                                                                         Ass. dos Bakongo de Angola,

                                                          

                                      ,               Mbanza Kongo, Junho de 1992

 

 

 


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