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Por CARLOS FERREIRA

 

Foto de ATD - Ass. Tchiweka de Documentação

 

 

EDITORA NÓSSOMOS LEMBRA O POETA VIRIATO DA CRUZ


 

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  Viriato Francisco Clemente da Cruz, nasceu em Porto Amboim, no dia 19 de Março de 1928,  vindo a falecer em Pequim, a 13 de Junho de 1973. Impulsionador do Movimento dos Novos Intelectuais de Angola, a sua poesia é inseparável dos

caminhos que levaram à consolidação da literatura angolana.

 

A EDITORA nÓSSOMOS, dos escritores Luandino Vieira, Arnaldo Santos, e da Dra. Teresa Cohen, vem publicando com alguma regularidade vários poetas e contistas angolanos. Desta feita foi anunciado e vai-se proceder ao lançamento de “Poemas” de Viriato da Cruz com uma introdução do Prof. Francisco Soares, “No descruzar dos caminhos”.

A apresentação esteve prevista  na União dos Escritores Angolanos, o que não sucedeu por razões meramente técnicas.

 O importante é que, muito em breve, os interessados na literatura angolana terão à sua disposição, um livrinho que recorda um dos mais importantes dos seus criadores, cuja poesia é ponto de partida para a definição de uma literatura de cariz definitivamente angolano.

 

 

 

 

 

" Makèsú “Kuakié!... Makèzú, Makèzú…”

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O pregão da avó Ximinha
É mesmo como os seus panos
Já não tem a cor berrante

Que tinha nos outros anos.
Avó Xima está velhinha
Mas de manhã, manhãzinha,
Pede licença ao reumático
E num passo nada prático

Rasga estradinhas na areia...
Lá vai para um cajueiro
Que se levanta altaneiro
No cruzeiro dos caminhos
Das gentes que vão p´ra Baixa.

 

 

Nem criados, nem pedreiros
Nem alegres lavadeiras
Dessa nova geração
Das “venidas de alcatrão”
Ouvem o fraco pregão
Da velhinha quitandeira.
“Kuakié!... Makèzú, Makèzú...”
“Antão, véia, hoje nada?”
“Nada, mano Filisberto...
Hoje os tempo tá mudado...”
“Mas tá passá gente perto...
Como é aqui tá fazendo isso?”
“Não sabe?! Todo esse povo

 

Pegô num costume novo
Qui diz qué civrização:
Come só pão com chouriço
Ou toma café com pão...
E diz ainda pru cima
(Hum... mbundu Kene muxima...)
Qui o nosso bom makèzú
É pra véios como tu.”
“Eles não sabe o que diz...
Pru qué Qui vivi filiz
E tem cem ano eu e tu?”
“É pruquê nossas raiz
Tem força do makèzú!...”

 

 

 

                                                                                                             Fonte: O Novo Jornal

 

 

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