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ril 2012 às 12:00

 

Por Jorge Santos Carvalho

 

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Uma das personalidades mais marcantes do século XX morreu há 45 anos, assassinado, a 4 abril de 1968, quando estava na janela de um quarto de hotel em Memphis, estado do Tennessee, onde fora para liderar uma marcha de protesto de apoio à greve dos trabalhadores de recolha do lixo. Ele tinha um sonho. Sacrificou-se em nome dele e da igualdade racial. Partilhava ideais de justiça, da não violência e amor ao próximo, inspirado em outro grande mestre da paz, Gandhi.


Nasceu a 15 de janeiro de 1929, em Atlanta, Georgia, o filho primogénito de uma família de negros de classe média. O pai era pastor da Igreja Batista, a mãe professora. Frequentou escolas públicas da Geórgia nos tempos da segregação racial e, em 1948, concluiu a faculdade no Morehouse Colledge, destacada instituição para negros de Atlanta, na qual o pai e o avô também concluíram os respetivos cursos.


Em 1951, conclui o bacharelado, depois de três anos de estudos teológicos no Seminário Teológico Crozer, na Pensilvânia, onde foi eleito presidente de uma classe de veteranos predominantemente formada por brancos.

Com as amizades conquistadas em Crozer, inscreve-se em estudos avançados na Universidade de Boston, ali completando o doutoramento em 1953 e graduando-se em 1955. É também em Boston que conhece e se casa com Coretta Scott, jovem de talentos intelectuais e artísticos fora do comum. Tiveram dois filhos e duas filhas. Dois filhos e duas filhas completaram a família.


Aceite, em 1954, como pastor da Igreja Batista da Avenida Dexter, em Montgomery - Alabama, onde sempre foi um ferrenho defensor dos direitos civis para os membros de sua raça. King era, naquele tempo, um membro do comite executivo da Associação Nacional para o Avanço das Pessoas de Cor. Estava bem preparado para o que se seguiria, em dezembro de 1955, aceitando liderar a primeira grande demonstração negra de não-violência contemporânea nos Estados Unidos da América - o boicote a companhia de autocarros de Montgomery, racista até à medula e que exigia a separação entre brancos e negros. O boicote durou 382 dias. Até que, a 21 de dezembro de 1956 o Supremo Tribunal decreta a inconstitucionalidade do decreto que exigia segregação racial nos transportes públicos.


Entre 1957 e 1968, percorreu mais de 10 milhões de quilómetros, discursou em mais de 2.500 ocasiões, aparecendo, por vezes de forma inesperada, onde havia ecos de injustiça ou necessidade de protestar. Durante este período, escreveu cinco livros e centenas de artigos em jornais. A voz dos negros começava a fazer-se ouvir cada vez mais alto. Naqueles anos, liderou um protesto maciço em Birmingham, Alabama, que chamou a atenção do mundo, apelando ao «despertar das consciências», e no qual se inspirou para escrever Carta de um prisioneiro de Birmingham, um manifesto da revolução negra. Planejaria, também, uma marcha gigantesca no Alabama pelo direito de voto dos negros, liderando, em 1968, a marcha pela paz em Washington perante 250.000 pessoas. Foi aí que disse a frase que ainda hoje é sinónimo de liberdade. Eu tenho um Sonho".


Foi preso 20 vezes, foi quatro vezes espancado, foi nomeado o Homem do ano pela Revista Time em 1963 e, no ano seguinte, aos 35 anos, recebe o Prémio Nobel da Paz - quando recebeu a notícia, anunciou que entregaria o prémio a um movimento que lutava pelos direitos civis.


Algumas das suas frases ficaram para a história. Estas, por exemplo:


Um verdadeiro líder, em vez de buscar consenso, molda-o.


O que mais me preocupa não é o grito dos corruptos, dos violentos, dos desonestos, dos sem caráter ou dos sem ética; o que mais me preocupa é o silêncio dos bons.


Temos de combinar a dureza da serpente com a suavidade da pomba, uma mente dura com um coração tenro.


Nada no mundo é mais perigoso que a ignorância sincera e a estupidez conscienciosa.

 

 

 

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