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O FUTURO DO KIKONGO DE ANGOLA

 

Por Panzo Abílio

O FUTURO DO KIKONGO DE ANGOLA

Por um lado, agradecemos e estamos orgulhosos do nosso governo, em particular ao Ministério da Educação de Angola, pela introdução de currículos de línguas nacionais. Por outro lado, os Bakongo podem fazer mais e melhor. Precisamos pensar no futuro no tempo da globalização e das novas tecnologias de comunicação.

Minha sugestão: Por que não pensarmos em adoptar um Kikongo- padrão feito do melhor de cada léxico regional e definir uma gramática correta (regras)?  Em todos os países as línguas têm variantes. Mas para tornar mais fácil para as pessoas aprenderem é importante ter um padrão para a linguagem.

Na Inglaterra, por exemplo, o Inglês regional é difícil para um estrangeiro entender, mas continua ser língua Inglêsa. Felizmente há uma versão padrão para o idioma Inglês, que se ensina nas escolas.

NKAND’A NZAMBI

A história de Nkand’a Nzambi (A bíblia em Kinsasala) e o King James Bible(A famosa bíblia de referência da língua Inglesa de todos os tempos). O que motivou o rei James a encomendar a tradução da Bíblia do Hebraíco para o Inglês no século XVII? Era para torná-la legível no idioma do dia. (Note: Já havia outras versões da Bíblia em Inglês).

E yandi ntinu James, também queria uma tradução popular. Ele insistiu que a tradução usasse velhos termos e nomes familiares e fosse legível no idioma do dia. A tradução foi feita por 50 estudiosos em seis comitês, os melhores péritos (linguistas, etc …) nas Universidades de Oxford e Cambridge e depois revista pelos Bispos. O que tinha motivado a tradução (o pano de fundo)?  O clero protestante dirigiu-se ao novo Rei em 1604 e anunciou seu desejo de uma nova tradução para substituir a Bíblia Do Bispo, primeiramente impressa em 1568. Essencialmente, os líderes da igreja desejavam uma Bíblia para o povo.

O resultado foi: UMA REALIZAÇÃO COLOSSAL. Os péritos não só resolveram os problemas técnicos e linguísticos, ao mesmo tempo, produziram um trabalho com uma cadência, ritmo, imagens e estrutura que iria ressoar tão profundamente com a consciência popular que moldou uma civilização e cultura de uma maneira única.

SOU APOLOGISTA DE NKAND’A NZAMBI, E PORQUÊ?

Eu li “The Story of the King James Bible” (Professor: Alister McGrath), há mais de 10 anos. A tradução bíblica encomendada pelo rei James no século 17, teve uma grande influência sobre a literatura Inglesa. Algumas pessoas até dizem que William Shakespeare foi influênciado por ela. Sempre que colocamos palavras na boca de alguém”, ou “vemos a escrita na parede”, ou “vamos de força em força”, “ou comemos, bebemos e nos alegramos”, ou “lutamos a boa batalha”, ou“lamentamos os sinais dos tempos”, ou “encontramos uma mosca na pomada”, ou usar palavras como longanimidade bode expiatório, pacificador , estamos inconscientemente citando o King James Bible. Mais surpreendente, em comparação com o vocabulário pródigo de 31.000 palavras de Shakespeare, o KJB trabalha sua magia com um léxico de Apenas 12.000 palavras. (Robert McCrum, The Guardian).

A versão King James Bible tornou-se o Inglês padrão. No século XVII, cada região na Inglaterra, falava a sua variante da língua Inglesa. Mas esta tradução ajudou na correção de erros gramaticais, etc …

O INGLÊS DO SÉCULO XVII, JÁ NÃO SE FALA NA INGLATERRA. É SIMPLESMENTE UMA REFERÊNCIA VALIOSA PARA OS PÉRITOS.

“Se vi mais longe foi por estar de pé sobre ombros de gigantes” (Sr. Isaac Newton). O Kikongo de Nkand’A Nzambi deve servir de referência. Será que é mesmo a variante de Kikongo, que deve ser adoptada como o standard? O Inglês standard (a versão muito formal) é aquele que se fala na rádio BBC World, para o estrangeiro aprender. Nas rádios locais no UK, fala-se o Inglês corrente. No caso do Kikongo, sem a existência de uma versão standard não se pode falar em versão corrente claro.

Porque não existe kikongo-padrão?

 Na minha humilde opinião, o Kikongo standard de Angola (caso os peritos Bakongo em matéria decidirem), deverá ser a amálgama do que há de melhor (léxico etc…) em todas variantes.

 A tradução da Bíblia de Kikongo levou 14 anos. É quase o mesmo tempo que levou a tradução da Bíblia Hebraíca(15 anos) em Grego no século 3, Antes de Cristo: A famosa SEPTUAGINTA. Daí o respeito que todos devemos ao Kikongo de Nkand’ A Nzambi, claro ao Kinsasala.

 

Via Luvila.com