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National Geographic exalta turismo natural

A província do Cuando Cubango pode, nos próximos tempos, ser a mais importante área de turismo ecológico do continente africano e do mundo, a julgar pelos resultados obtidos nas pesquisas da National Geographic Society que, desde o ano passado, investiga o grande potencial da fauna e da flora dos rios Cuíto e Cubango, inseridos no projecto de conservação ambiental de Okavango-Zambeze.

Steve Boyes, que comanda a expedição da National Geographic Society, disse que o Cuando Cubango detém uma vida selvagem virgem e de encher os olhos a qualquer investigador da biodiversidade, porque grande parte do território da província está despovoada, uma situação que deixa a fauna e a flora bastante exuberante e num ciclo vegetativo natural, ou seja, sem a influência negativa do homem.

Para provar isso, Steve Boyes e a sua equipa de 14 especialistas, apresentaram, na quarta-feira, na cidade de Menongue, ao Governo da província do Cuando Cubango, os resultados preliminares da segunda fase de expedição realizada de 12 de Fevereiro a 3 de Abril do corrente ano, ao longo do rio Cuanavale, numa extensão de cerca de 400 quilómetros.
O líder da equipa disse que, com investimentos de vulto, Angola pode superar os cerca de 400 milhões de dólares que o Botswana arrecada anualmente provenientes das receitas do turismo, porque como investigador passou em vários locais do mundo e nunca viu tantos locais de atracção como no Cuando Cubango e que pode deixar qualquer turista estrangeiro impressionado.
“O projecto “Okavango Wilderness” está a produzir resultados satisfatórios e o Cuando Cubango constitui terra de oportunidades para apostar seriamente em projectos de turismo ecológico de referência, com uma fauna e flora ricas em espécies raras”, disse Steve Boyes, que referiu que a grande diversidade de aves que habitam ao longo das margens do rio Cuito e Cuanavale constitui uma das principais maravilhas que vai deixar os turistas fascinados e com saudades de voltar em Angola.
“Por este facto, estamos dispostos a apoiar o Governo angolano por meio desta expedição, para mostrar ao mundo o grande potencial que o país tem em termos da biodiversidade, para que possa ser um dos maiores pontos de atracção do turismo ecológico do nosso planeta”, disse Steve Boyes.
“Angola deve sentir-se bastante orgulhosa pelos recursos naturais que tem e trabalhar afincadamente para eles poderem contribuir para o melhoramento das condições de vida das populações, sobretudo aquelas que vivem nas áreas mais recônditas e que ainda enfrentam situação de pobreza”, disse Steve Boyes.

Resultados da expedição

A cerimónia de apresentação dos resultados da expedição, testemunhada pelo vice-governador provincial, Pedro Camelo, membros do Governo, convidados, autoridades tradicionais, eclesiásticas e estudantes, começou com a exibição de um filme das espécies e zonas paisagísticas observadas ao longo dos 400 quilómetros percorridos, que deixou os presentes surpreendidos, pelo potencial apresentado.
Steve Boyes explicou que durante a pesquisa científica foram identificadas 367 novos registos de espécies de aves, 18 amostras de mamíferos, incluindo morcegos, elefantes, sitatunga, leopardos e mabecos, e 14 répteis e anfíbios, sendo um novo para o país e três potenciais novos animais para a ciência.
Foram também recolhidas 50 espécies de peixes, incluindo três novas espécies National Geographic destaca potencialidades da fauna e da flora no rio Cuanavale, e duas potenciais novidades para a ciência. Um total de 802 de plantas foram analisadas, sendo 506 com novos registos. Um total de 40 diferentes espécies de insectos, adicionados a 20 de borboletas e 30 libélulas foram também descobertos.
Durante a expedição, que contou com o trabalho de 14 especialistas, com realce para cientistas de renome internacional de diferentes grupos de biodiversidade, foram seleccionadas 12 áreas húmidas como de potencial importância internacional e uma região com grande capacidade biológica para o estabelecimento de uma zona protegida.
Steve Boyes disse que a expedição é financiada pela National Geographic num valor de cerca de um milhão de dólares americanos e abrange os rios Cuito, Cuanavale, Cubango e Cuando e prolonga-se até 2018.
Os resultados finais da expedição são entregues ao Governo angolano para que possa ter um melhor conhecimento da biodiversidade no país e são divulgados em revistas científicas e nos vários meios de comunicação social, incluindo o canal televisivo da National Geographic.
O cientista anunciou que está em curso a gravação de um filme que vai espelhar a biodiversidade e o modo de vida socioeconómico das populações que vivem ao longo dos rios Cuito, Cuanavale, Cubango e Cuito, e tudo aquilo que a sua equipa viveu durante a expedição.
Realçou que para o êxito das suas actividades a equipa da National Geographic tem estado a contar com o apoio do Governo angolano e em particular do Ministério do Ambiente, e da operadora de desminagem The Halo Trust para melhor circulação das áreas ainda com suspeitas de minas. Steve Boyes anunciou que a National Geographic Society pretende, nas próximas pesquisas científicas no rio Cubango e Cuando, recrutar jovens angolanos, sobretudo estudantes universitários formados em biologia.

Primeira expedição

Na primeira fase de expedição, que decorreu no ano passado, durante dois meses, na nascente do rio Cuito (Bié) até à confluência do Cubango, na localidade de Dirico (Cuando Cubango), permitiu a identificação de 376 novas plantas, 60 espécies de peixes, 50 de répteis e igual número de aves.
Nesta pesquisa foram mobilizados 40 especialistas, entre cientistas, estudiosos, navegadores, ambientalistas, operadores de câmara e pessoal de apoio técnico, e percorreram mais de 2.500 quilómetros da nascente do rio Cuito até o Delta do Okavango, no Botswana. A par dos êxitos alcançados, os especialistas tiveram de andar durante dez dias a pé devido às áreas estreitas do percurso do rio que não permitia circular de canoa. Foram muitas vezes atacados por jacarés, hipopótamos e abelhas, situações que nunca tinham vivido antes.

Protecção da biodiversidade

Steve Boys disse ser necessário a prestar uma maior atenção a algumas comunidades que vivem próximo do rio, para dar maior vitalidade à biodiversidade, porque em alguns locais por onde passou a expedição, constatou-se que os aldeões queimam as florestas abatem as árvores, matam as aves e animais de pequeno e grande porte para poderem sobreviver. Steve Boyes acrescentou que os caçadores, para a realização das suas actividades, chegam a incendiar áreas de dez quilómetros para caçar.
“Por esta razão, é necessário que o Governo angolano crie políticas urgentes para melhorar as condições de vida das populações para que deixem o mais rápido possível de destruir a rica fauna e flora que o país tem e que deve servir para atrair turistas”, disse.
Na visão de Steve Boyes, a protecção da biodiversidade permite que muitos animais, que na altura da guerra foram obrigados a fugir para países vizinhos, como a Namíbia, Zâmbia e Botswana, voltem definitivamente ao país.

Diversificação da economia

O vice-governador da província para o sector político e social, Pedro Camelo, disse que frente às potencialidades naturais que o Cuando Cubango possui, o Governo local tem o fomento do turismo como um dos sectores-chave para responder ao programa do Executivo angolano de diversificação da economia nacional.


Pedro Camelo disse que por isto há toda uma necessidade de se prestar uma particular atenção em acções que visam a protecção da biodiversidade em todos os locais que constituem prioridades, para o êxito da implementação do maior projecto transfronteiriço de conservação ambiental Okavango-Zambeze.
Pedro Camelo garantiu que o governo da província vai envidar esforços no sentido de acabar com toda a prática que está a provocar o desaparecimento de muitas espécies de animais e plantas num curto espaço de tempo, e que pode conduzir à redução drástica da biodiversidade.
“O Governo da província vai continuar a prestar o apoio necessário à equipa da National Geographic para que persista na busca de informações que possibilitem desenvolver projectos para o bem-estar social das comunidades ao longo das áreas tidas como chaves e que devem merecer todo o cuidado e protecção”, concluiu Pedro Camelo.

Via J.A

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