Publié par fara

 

Luanda - A ministra da Cultura, Rosa Cruz e Silva, reafirmou nesta quinta-feira, em Luanda, a convicção da inscrição de Mbanza Congo na lista do património mundial da Unesco, fruto dos dados recolhidos pela equipa de peritos nacionais e estrangeiros no terreno.

 
 

MINISTRA DA CULTURA, ROSA CRUZ E SILVA.

FOTO: ANTÓNIO ESCRIVÃO

Falando numa conferência de imprensa de apresentação do balanço do Comité de Redacção do Projecto Mbanza Congo: Cidade a Desenterrar para Preservar, Rosa Cruz e Silva realçou que os resultados do trabalho no terreno dão garantias de que o país poderá ver concretizado um sonho.

“O trabalho desenvolvido até ao momento dá garantias de que estamos no bom caminho e que vamos conseguir alcançar o nosso objectivo”, adiantou.

Rosa Cruz e Silva frisou que a entrega do dossier à Unesco, no dia 30 de Janeiro, não significa o fim do trabalho, pois será necessário dar continuidade ao processo de avaliação do potencial arqueológico de Mbanza Congo a fim de tornar a cidade num roteiro turístico internacional.

A ministra adiantou que falta, neste momento, aprimorar alguns aspectos para a conclusão do dossier de inscrição a ser submetido à Unesco.

“O dossier tornou-se numa escola aberta e de diálogo sobre a história de Mbanza Congo, razão pela qual devo agradecer o empenho e dedicação de todos os técnicos que ao longo destes anos têm dado o melhor de si para levar avante o projecto do Executivo angolano”, disse.

Ao longo do trabalho do Comité de Redacção do Dossier Mbanza Congo, de acordo com a ministra, recorreu-se a fontes escritas, orais e arqueológicas que deram um peso significativo aos dados constantes no mesmo.

Entre os critérios para a inscrição de MbanzaCongo na lista do património mundial, a Unesco aponta potencial histórico e arqueológico da capital do antigo Reino do Congo, bem como o intercâmbio ímpar de valores humanos demonstrado por esta localidade durante um determinado tempo da sua história, uma área importante do mundo no desenvolvimento da arquitectura, das artes monumentais, do planeamento urbano e desenho de paisagens.

Segundo a ministra, Mbanza Congo é um testemunho único ou excepcional de uma contradição cultural ou de uma civilização ainda viva ou que tenha desaparecido, cujo mosaico cultural está tangivelmente associado a eventos ou tradições vivas, com ideias ou crenças, com trabalhos artísticos ou literários de importância universal.

O projecto para a inscrição de Mbanza Congo na lista do património mundial foi lançado em 2007 com a realização de uma mesa redonda internacional sob o tema “ Mbanza Congo, Cidade a Desenterrar para Preservar”.

O projecto para a inscrição desta localidade encontra-se já na sua fase derradeira, sob a alçada do Ministério da Cultura.

Mbanza Congo é uma cidade e município da província do Zaire, com cerca de 68 mil habitantes. Foi a capital do antigo Reino do Kongo e designou-se São Salvador do Congo até 1975. A cidade foi fundada antes da chegada dos portugueses e era a capital de uma dinastia que governava desde 1483. O local foi abandonado durante as guerras civis que eclodiram no século XVII.

Mbanza Congo foi o lar dos Menekongo, monarcas que governavam o Reino do Kongo. No ano de 1549, por influência dos missionários portugueses, foi construída a Sé Catedral de São Salvador do Congo, a mais antiga da África Sub-Saariana, o nome da igreja no local é Nkulumbimbi. Foi elevada ao status de catedral em 1596.

O papa João Paulo II visitou a catedral em 1992.

O nome São Salvador do Congo apareceu pela primeira vez em cartas enviadas por Álvaro I do Congo ou Álvaro II do Congo, entre os anos de 1568 e 1587. A cidade voltaria a chamar-se M'Banza Congo, após a Independência de Angola em 1975.

Quando os portugueses aí chegaram, ela já era uma grande cidade, a maior da África sub-equatorial. Durante o reinado de Afonso I, edificações de pedra foram criadas, incluindo o palácio e igrejas.

Em 1630 foram relatados cerca de 4000 a 5000 baptismos na cidade, com uma população de 100.000 pessoas. A cidade foi saqueada várias vezes durante as guerras civis do século XVII, principalmente na batalha de Mbwila e foi abandonada no ano de 1678, sendo reocupada em 1705 por seguidores de Dona Beatriz Kimpa Vita, a partir desta época a cidade não foi mais abandonada.

 

Via Angop

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