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No dia 12 de janeiro de 1904, o povo banto dos hereros revoltou-se contra os colonizadores alemães, que ocupavam o seu território no Sudoeste Africano (atual Namíbia). A resposta alemã foi o genocídio. Por António José André.

 

Este drama reflete os horrores que marcaram a expansão colonial europeia, no final do século 19. Durante 20 anos, os alemães expandiram o seu domínio usando a tática de alimentar as rivalidades entre os povos bantos.

Os hereros, que viviam basicamente da pecuária, foram perdendo os seus campos para os colonizadores alemães, através de negociações, falcatruas e violência. A situação chegou a tal ponto que o chefe, Samuel Maharero, apelou ao seu povo e a outras tribos para resistirem à dominação alemã.

Numa carta ao líder nama, Hendrik Witbooi, escreveu: "Toda a nossa subserviência e paciência em relação aos alemães não trouxe vantagens. Por isso, faço um apelo, meu irmão, para que participes na nossa revolta, de modo a que toda a África levante as armas contra os alemães."

O sonho de Maharero não se concretizou, pois os nama não aderiram ao seu apelo. No dia 12 de janeiro de 1904, os guerreiros comandados por Samuel Maharero atacaram e massacraram os colonos do posto de Okahandja. O Império Alemão reagiu com extrema brutalidade.

O imperador Guilherme II mandou para o Sudoeste Africano (atual Namíbia), 3500 soldados comandados pelo general Lothar von Trotha. Numa carta ao governador da colónia, Theodor von Leutwein, anunciou a repressão: "Conheço muitas tribos africanas…Terror, violência brutal. Essa é a minha política", escreveu.

A 11 de agosto de 1904, tropas alemãs comandadas por Von Trotha cercaram 7500 hereros e o seu chefe, Samuel Maharero, com armas poderosas. Sobreviventes do massacre foram expulsos com os seus animais para o deserto do Kalahari.

Alguns fugitivos escaparam para o território britânico de Betshuana. Outros, tentaram voltar para as suas povoações de origem, mas von Trotha foi implacável. A 11 de dezembro de 1904, foi ordenada a concentração dos hereros sobreviventes em campos de trabalhos forçados e, pouco depois, as últimas terras indígenas foram confiscadas e colocadas à disposição dos colonos alemães.

Nos três anos seguintes, dezenas de milhares de hereros sucumbiram à repressão, à fome e às doenças. Apenas cerca 15 mil de um total de 90 mil hereros escaparam do genocídio. O domínio alemão ainda persistiu por mais uma década.

Em 1915, durante a Primeira Guerra Mundial, a atual Namíbia foi ocupada pela África do Sul, na época colônia britânica. Em 1920, a Liga das Nações deu à África do Sul um mandato para administrar o território, situação que perdurou até ao final da década de 80.

Em 1966, eclodiu a luta pela libertação com o início da luta de guerrilhas, organizada pela SWAPO (Organização dos Povos do Sudoeste Africano). A Namíbia tornar-se-ia um país independente, em 21 de março de 1990.

Via esquerda.net